quinta-feira, 26 de novembro de 2009

LXXVII

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jamais
o engodo e o fastio
de sentir-se recôndito
pelo estupor
de um débil vazio
sempre-sempre
o amor
como foco e visão
amar sem ser adulado
não
devo querer o amor colado
grudado na pelame
[ou escorrendo
suando em bicas
embrulhado em minhas tripas]
como um retame emplastrado
pronto pra ser degustado
pela primeira que passar ao meu lado.

LXXVI

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podes crer! apenas sinto-me útil quando estou de pau duro. é quando encontro-me inspirado, instigado, intimado a ser o melhor em tudo que eu executo. seja fazendo sexo sozinho, casal ou grupal. seja falando ou escrevendo qualquer troço. seja cagando ou urinando. enchendo o pote de alcohol. fumando cigarros industriais e naturais. uivando pro céu diáfano e estrelado. ou em silêncio absorto laboratoriando novos desvarios.
em suma, eu quero é gozar! sempre! no rosto do solitédio! não nasci pra ser solitário funcional e fraco franco-perdedor. soliotário. não é do meu feitio não! não é esse meu destino malsinado: ficar embaralhado nas cartas da lida da solidão, embolado na rede da solitude. agarrado a teia do fracasso. lama nunca mais! jamais.

LXXV

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antes de ressurgir das cinzas. recomponho-me devagar. acendo – ainda trêmulo – um cigarro. dou umas fortes tragadas. para com isso, restabelecer a minha força mediante esta temporária queda. não sou de me entregar! não sou, cumpade! eu já sei do que eu necessito. . .
vou até a geladeira e abro uma lata de cevada gelada. depois desta primeira, abro e bebo umas três. faço um omelete bem engordurado pra matar a larica ocasionada por um tapa num baseado de leve. que lembrei que havia ganho de presente do meu mano amalucado – o tudo lindo.
agora fico mais relaxado.
tento me concentrar centrar no romance Adeus às armas do Hemingway. porém, com a televisão a cabo ligada não dá, né! sobretudo, sintonizada no canal dos filmes pornográficos. preferi me concentrar centrar no portento volumoso do rabo da loira levantado para o alto boqueteando dois falos tesos. ansiosos e ociosos para comer o louro rabo a perigo. um rabo pegando fogo. quem vai apaga-lo ou incendiá-lo de vez só? ah, bem que eu gostaria e tanto! penso seriamente em treinar, me preparar, me dedicar ao rumo dos filmes sacanas. isento de hipócrita modéstia, digo: ‘serei um excelente ator!’

LXXIV

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derrotado. ademais, além de estar visivelmente chapado. com o naipe da minha cara toda arrebentada, quebrada, amassada pelas pancadas que aquele filho-da-puta me deu sem dó nem piedade. só porque eu fiquei de todo incomodado e nauseabundo de ver aquela cena melosa de dois pombinhos bebuns se beijando, exibindo sua paixão vagabunda pra todos ali em torno. poizé, porra! somente eu me revoltei com aquilo. ninguém teve sequer coragem de expor a sua irritação. poisei que todos estavam desconfortáveis, injuriados, incomodados com o casal. e só eu me dignei a mostrar que estava perturbado com eles. um bando de panacas medíocres!!!
dentretanto, aqui estou eu entregue a mão do palhaço (sem graça e sem platéia). um desgraçado a procura do que não sei muito bem o que é. um cara que ainda não adquiriu siso. quando digo: siso – falo também de uma parte da arcada dentária.
- “porenquanto, eu estou no prejú! nesse prejuízo... mas é só por enquanto de um tempo. porque eu vou sair dessa! vocês hão de ver! vão ver. . .” resmunguei confiante.
- “acredito!” uma voz onírica me confirma.

LXXIII

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neste mesmo bar. havia um casal mui entrosado. amando-se. amando-se. se beijando entre goles de cervas. não sei o porquê me veio uma onda errada de porre e resolvi atrapalhar o átimo deles. . .
- “porra! parem de se chavecar assim! isso está me enjoando, me enojando. isso está me embrulhando me enchendo de náuseas!!!”
o homem respondeu alterado e completamente irritadiço:
- “tu tá maluco? perdeu a noção do perigo, seu viado??? quer morrer bem aqui!!?? fica na tua e deixa a gente aqui sossegado na boa!!! seu vacilão de merda!!!!!”
- “e qual é? só não quero ver casalzinho assim desse jeito se grudando na minha frente!”
- “porra! seu infeliz, filho de uma puta! vaza! vaza! vaza! segue teu rumo, babacão!”
- “e qual é???”
- “qual é... é o caralho! seu filho de putos! vou te emparedar de porrada se tu não correr logo daqui!!”
- “vai tomar no terceiro olho do seu cu!”
- “comé qué!!!!???” ele de súbito me desferiu uma de esquerda e outra de direita na fuça da minha face.
- “hhuaaaaaaiiii!!! seu corno!!!!!”
- “comé qué!!!!??? repete!!! desgraçado!!!”
- “CORNO!!!!”
- “ah então tu vai se fuder de vermelho agora! toma de novo!!!” mais-uma-vez desferiu uma penca de golpes no meu rosto e também na boca do meu estômago. estei, fiquei sem ar. totalmente estirado entregue no chão quente da esquina da rua. todos os cachaceiros que ali estavam ficaram em polvorosos comemorando o desenrolar da selvagem refrega.
no final, eu pedi arrêgo. bandeira branca. trégua. e ele me deu um chute derradeiroso na fuça. apaguei. com o nariz desaguando em sangue. só me recordo de ter sido jogado ao avanço no meio da minha cama.

LXXII

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despertamos. bem dizer: tarde! miríades de cantos de galos já entoados. e muito deapós acordamos pra vida. e isso já eram umas duas horas vespertinas.
levei tâmara até o portão de casa. o sol queimando a pino. bateu-me uma azáfama de beber uma gelada. fui até uma biroska mui próxima dali pra pendurar tomar uma gelada. sentei na cadeira. refleti. refleti. o que eu quero realmente do meu destino? o que eu espero de um remate de paixão? se se se sei não... não sei o quê me reserva de reserva. só uma certa conserva de excitesões.

LXXI

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pulo ou não pulo essa parte? this is a question. se se eu sei meus caros baratos leitorespecatadores, vocês querem ver o circo ser incendiado! então vamo s’embora que A HORA É ESSA!!! vamos puxar esse samba... vamos gozar porque é isso que esta vida de carne & ossatura pede.
- vem, meu malandrinho, vem! que eu tô prontinha pra você!
tâmara que estava apenas usando uma calcinha pequenina. tira-a de logo. e eu a agarrei como se fora a última chance de me jogar ao seu corpo abrasivo.
- quero você pra todo-sempre! você faz um amorzinho muito do bom, meu denguin. . .
- oh, como isso me enaltece, minha gata formosa!
lambi, beijei, mordi, saboreei toda a sua portentosa anatomia. ela fez exatamente o mesmo comigo.
desta feita, eu gozei, me deleitei mais do que na outra vez. & aí sim, nós caímos em remoto na soneca. dormitamos feito bicho-preguiça. & isso já era umas seis horas da manhã. o sol já havia dado o ar de sua graça há muito muito.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

LXX

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tô vendo tô sentindo que hoje, a noite vai ser longeva. a noite será como uma criança hiperativa solerte e brincalhona e sorridente ligada a 220 volts. vamo que vamo! tô preparando pra colocar denovamente minha seleção em campo no gramado de tâmara.
enquanto isso, ela rebola bola bole que bole bulindo com os meus mais lascivos sentidos. estou paudurecendo outra vez! e eu adoro isto... como eu adoro!!!!
e o funk bomba, rola, toca na vitrola:
“se não tá duro
comé que tá?!
mole!!!...”
ela requebra requebra quebra quebra meus juízos já-já imperfeitos.
eu não vou me conter mais! vou partir logo pro ataque! mas vou com um pouco de calma pra não engoli-la viva. . .
- tá gostando do meu requebrado, denguin...?...!
- tô, tô adorando!
- ai. . . qu’ótimo!
- vamos tran. . . transar de novo?!?
- na hora agora, meu denguin!!!
- já é, demorou!
eu rapilepidamente resrespondi.

LXVIX

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espero que role mais uma bela trepada. sorte que eu tenho uma espécie de funk velha guarda perdido na minha parva coleção de LPs.

LXVIII

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botei o disco dos Beatles – o Álbum Branco – na agulha da vitrola. é o que eu estou curtindo no comenos. deveras demais em demasia! dentretanto, miss tâmara reclamou do som da melhor banda do milênio.
- que música deprê essa, hem???!!! que chato! coloca uma música mais pra cima! animada, neh!, meu nego........
a canção que estava rolando, tocando era nada mais nada menos que ‘Blackbird’. uma linda composição de Paul McCartney, mas creditada à dupla Lennon-McCartney.
- o quê por exemplo, sua gostosa?
- um funk bombado pra eu te mostrar o poder do meu rebolado até o chão!
contido pensei em silêncio.
- acho que eu vou me entregar a essa tentação... vou aceitar esse pedido.

LXVII

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citando um cantor aí: ‘deixemos a profundidade de lado’, eu & tâmara papeamos muito bastantemente ao eito do coito e da medição do meu falus. tentamos dormitar, mas não conseguimos de jeito maneira.
decidi então pôr um som na vitrola. sim. vitrola! SOU UM CARA DAS ANTIGAS! odeio que odeio o som de um CD. não dá pra ouvir um som grave e brilhante do contrabaixo! e esteticamente é muito ruim. não me toca como um som de um vinil. um som encorpado e que transporta a um tempo em que tudo era mais romântico e desacelerado. muito diferente de hoje-em-dia. . . e essas contemporaneidades então: MP3, MP4 e o caralho-a-quatro e etc. só ouvi falar e nem me interessa essas parcas modernidades!
porém, tâmara é adepta a esses TEMPOS MODERNOS e estranhou o fato d’eu cultuar antiguidades:
- “o quê isso??? você ainda tá na era medieval? vitrola!!!??? você não é velho nem nada pra ficar nessa de ser tão atrasado. . . . . .”
- “é, mas eu gosto do que é velho. fogão à lenha cozinha melhor do que fogão elétrico. a comida fica bem mais gostosa.”
- “é, mas demora a cozinhar. até ficar no ponto ideal é uma eternidade!”
- “poizé, porém, no caso da vitrola... você vai ver e OUVIR! o que é uma excelente sonoridade musical...”
- “hehehehe... belezinha, neguinho. . . você é muito diferente! muito diferente!”
- “como assim – diferente?”
- “estranho, esquisito. . . engraçado!”
- “ainda bem que é só tudo isso.”

LXVI

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será que eu sou mesmo um vero pervertido? um tarado funcional em propensão? porque após essa trepada assaz maravilhosa, eu ainda penso em voltar a fazer uma incursão aos prostíbulos da cidade. sobredeixei uma forra de foda! todavia, tâmara é minha sina de pensamento... ao mesmo tempo eu não quero me afugentar refugar dela. sinto que esse amor que eu sinto por tâmara pode vir a ser um apresto para eu ficar numa espécime de cabresto apaixonante. n’entanto, eu é que devo superestar no controle quanto a isto. eu devo ser senhor deste amor! sobrecontudo, digo: tenho de retornar a incursionar ao lupanar. me reinventar. pó...de...deixar...!....

LXV

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após pós esta deleitosa transa sensacional, [não há delito para o ato do deleite], tâmara me veio com a clássica pergunta:
- “foi bom pra você, meu dengo?”
- “foi ótimo! não está vendo aqui a resposta?!”
- “é... tô vendo! o teu pau ainda tá bem duro. . . não sei como ainda está assim??? depois de ter posto tudo quanto era líquido pra fora. como é que esse teu caralhinho ainda pode estar tão petrificado assim???. . .”
- “caralhinho é o caralho! caraLHÃO! caraLHÃO! meu pau é acima da média padrão...”
- “deix’eu medir então? com a fita métrica? Tem fita métrica aí, por acaso?”
- “tenho.”
- “eonde fica guardada?”
- “no armário pequeno debaixo da pia. vai lá pegar!”
-“já vou.”
tâmara regressa com a fita métrica toda serelepe.
- “aqui. achei, meu dengo!”
- “ahahahaha. . . vais precisar de uma fita maior que essa para medir esse meu big pau! huhahuaahahiaa. . .”
- “ah eh!!!???!!! seu vadio convencido... pretensioso. . .”

LXIV

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sobretudo, pode-se dizer que foi a devassidão de uma paixão desabrochando na flor da nossa pele. o furor comprazeroso saliente sendo grassado compartilhado comutado em nossas carnes & almas. assim é o chamejar, chamuscar, o lampejar do fogo queimadurando uma corpossibilidade de um airado amasiado amasio amor.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

LXIII

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continuando:
- come, me come gostosinho, vai!
- como, como e como!. . .
- mete, enfia, bota tudo!
- hhooohhh...
mudando de posição. o tradicional famoso papai-e-mamãe mas mantendo o sexo anal.
- fode fode delicioso!
- fodo fodo!
- me arreganha arregaça meu cuzinho!
- tô te penetrando toda!
- me arregaça me arreganha me arromba!
torno a colocá-la em cima de mim só que defronte pra mim.
- rebola, rebola esse rabo lindo pra mim, gata!
- assim... assim...
- é é é...
- me fode, me come bem!
- assim... assim...
- assim! assim!
- mexe, mexe, remexe esse rabinho!
- afunda esse caralho desse pau no meu cú, môzinho!
- rebola, mexe, mexe, remexe gostoso. . .
aí. pra dar aquele fatality final! faço um 69 bem delícia. eu já estou quase esporrando o meu gozo. meu desejo é jorrar meu esmegma em sua boquinha.
- vem, vem, gata vem! hum... oooohhhh!
- quer gozar na minha boquinha, quer?!
- quero!
- vai vai!
- hhhhhoooooooooooooooooooooohhhh!!!!!!!!!!!!!!!!!
aaaaahhhh... que delícia!!!! expurgo todos os meus espermas em sua garganta. embora, ela tenha gorfado a minha pôrra toda – ela não conseguiu engolir – escorrendo pelo seu queixo e pingando respingando desaguando direto no bico bem hirto de cada peito.
portanto, fizemos um excelente trabalho. realizamos ali o nosso grã filme pornô sem precisar de nenhuma megaprodução.

LXII

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de supetão, de primeira tiro seu vestidinho rubro-sangue. despejo um sobejo de beijos em sua boca. lambo seus seios. e a eito, ordeno ordenho que abaixe para pagar um bola-gato solerte. que só ela sabe fazer.
- isso, chupa, chupa gostoso, minha tâmara...
- tá gostando?
- hum, tô adorando!
depois boto-a de-quatro e salivo sua boceta encharcada.
- agora é a minha vez de te chupar!
- então vai, delícia!
e de-quatro mesmo, enfio o meu caralho na sua buça toda aguada de gozo. que eu provoco com a minha deliciosa chupada. ela se excita assaz.
- isso! fode agora! me fode!
- agora! agora! eu respondi cheio de tesão.
- ai ai ai ai ai!!!
- hhuaah huaahuuaahh
- me bate, me bate, bate!
- isso, vai, mete, mete!
- huuaahh… você é muito gostosa!
- mete, mete com esse pau duro bem duro!
- ai, caralho!
aí então, jogo ela por cima de mim e inicio a penetrá-la.
- me fode com força, vai!
- sim! sim! sim! tô te fodendo com força...
- enfia fundo. enfia tudo!
logo ponho o meu membro no seu orifício estreitinho.
- ai, ai, isso. enfia no meu cuzinho!
- que gostoso! que gostosa!
- soca, soca, soca o meu cu!
- hum... que delícia esse cuzinho apertadinho, hem!?
- é, é, é todo seu, mô...
- hum, que bom!...
- vem, vem, vem!
- ah, que safadinha! minha putinha princesinha. . .
- sou sua vadiazinha sim!
- é, minha vadiazinha maravilhosa!
- ai, fala, fala assim que eu gamo!
- huahh huuhaaa. . .
- soca, soca essa maçaroca no meu rabinho! mete essa vara toda em mim!

LXI

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paudurecido. sequioso para saciar a sede do meu libido. deparamos na porta da minha casa. giro apressadamente a chave no sentido horário no trinco. dois depravados. doidos pra praticar o coito. não podemos perder tempo não! ‘tamo’ com tesão... porém, pra dar aquele brilho, aquele pique – só mesmo um bom aditivo – um vinho do porto, do porteiro do prédio do meu primo que eu ganhei mês retrasado e havia esquecido de beber – q bom! incônscio acabei sem-querer guardando para essa especial ocasião.
pego um saca-rolha na cozinha, uns cubos de gelo e duas canecas e derramo vinho a dentro.
. . . e vamo que vamo logo direto ao ponto!

LX

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retornei a mesa. ela (claro!) permanecia lá (ali) linda linda linda exalando exortados sorrisos em minha direção. como eu posso resisti-la?! tâmara é implacável! tâmara é espetacular!
- “pagou a continha, meu queridão?”
- “paguei tudin... queridona...”
- “queridona?????”
- “ué, não gostou desse chamego de tratamento, tâmara?”
- “...não...”
- “. . . mas por que não?”
- “dizer um chamego no aumentativo para uma mulher é totalmente deselegante.”
- “ah. . . por quê? não me venha com...”
- “...essa. . . porque isso é muito inadequado e muito sem-classe. por exemplo: chamar uma mulher de queridona ainda que seja de maneira meiga, sutil e afetiva – ou até mesmo chamar uma mulher, uma namorada, uma esposa de: amorzão. é horrível, é um desastre, é anti-bom-tom!”
- “seja mais enfática, mais clara, mais sucinta, baby. . .”
- “chamegar qualquer mulher de queridona bonitona gostosona safadona saradona amorzão nossa que bundão você tem paixão que tesão! é xulamente anti-romântico, vulgar, dificilmente, a mulher vai dar de transar com gosto. isso eu digo por experiência própria. referir um elogio à uma mulher no aumentativo é altamente gravemente indelicado e grosseiro. muitas das vezes pode até tá dizendo que uma mulher é enorme de gorda se for o caso: minha gatona, minha lindona! tem coisa mais terrível???!!!!”
- “ok. estás arrazoada.”
- “. . .brigada. . .”
- “deixa de furar papo! e vamos ao que interessa na minha maloca!”
não me interessa nenhum pouco essa malbaratada filosofia de bons modos que tâmara admoesta. eu quero é botar meu bloco na sua avenida entreaberta. é isso que me interessa... é isso que me alegra e me dá azo!

LIX

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pois sim sorvemos rapilépidos a derradeira. falando mais deliciosas besteiras. até findar o último gole deste refrescante flavo néctar. posto que, neste agora eu pedi pra encerrar a conta. e tâmara sempre solícita se prontifica a querer cooperar:
- “tá sem dinheiro, moreno? tô com uma penca de reais aqui guardados na minha bolsinha? quer que eu ajude, hem?!”
- “não, precisa não, não, não. eu tô com dinheiro, minha tâmara...”
- “ótimo.”
mentira lorota caô. eu não tinha eu não tenho nenhum puto de centavo sequer no bolso surrado da minha bermuda vetusta.
- “me espere sentadinha, que eu vou até lá na bancada, no balcão pagar a conta, tá?!”
- “tá bom!”
isso me faz sentir um grande soez. um maltrapilho de gentalha de gentinha de gente. isso me deixa assaz mal. ah! que nada!
fui até o balcão de pagamento, desenrolei muito conversê com o dono do bar para que eu pudesse deixar no bom e velho fiado. nem sequer me intimidei com duas placas anunciando uns escritos sobre exatamente isso:
‘FIADO NEM PRA VIADO!’ e
‘FIADO NEM À CARALHO!’
todavia, surpreendentemente comigo, ele foi gente-fina. prometi a ele que quando virasse esse mês eu ia dar uma excelente forra. expliquei, ou seja melhor: inventei: que eu receberei um bom salário agora do meu emprego de fiscal e que pagarei até além do que eu gastei hoje. é o velho lema: ‘promessa é dívida.’ promessa é questão de palavra d’honra...!
como é de boa valia e de bom tom criar uma mentirinha de vez em quando em quando de vez.
entanto no entanto, eu me sentia mal com isso eu me sinto mal com isso tudo. ah! porra nenhuma.

LVIII

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tâmara sugeriu qu’eu pedisse a conta pra arrematar. entrementes, eu disse para ela fechar com chave de ouro com a saideira. a derradeira. haviam 19 garrafas – e eu disse para ela que eu não gosto de finalizar a bebedeira com número par de cervejas.
tâmara compreendeu essa minha idiossincrasia alcoólica.
- “então, vamos biritar essa só e depois a gente vai fazer um amorzin’ gostoso, moreninho...”
- “cê que manda, minha mina!”
- “tô louca pra te sentir. . .”
- “e eu também! então vamos biritar mesmo logo e correr pro abraço, minha morena!...”

LVII

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de bebedeira em bebedeira, mesa tomada de garrafas & copos com cerveja. cenário perfeito para a representação de uma fausta boemia.
pois é... estamos bêbedos curtindo a cada pulsação desse sublime comenos. nós não queremos menos, queremos mais! mais diversão! por sinal tâmara demonstra a sua empolgação com uma certa epifania: eis que de repente, num estalo de tempo, ela mergulha por debaixo da mesa. eu ébrio nem noto sua ação. só me dou conta quando começo a sentir uma boca voluptuosa mordiscando o meu membro já hirto. de seguida, ela abre o fechecler da minha bermuda e faz um boquete ali mesmo – sorte que o estabelecimento cheio de gente, ninguém auscultou o que estava acontecendo – um caso de ato de libação em púbico.
- tá gostando, amô? ela balbucia provocante embaixo da mesa.
- aaah... tô adorando, minha gata! isso é que é preliminar!
não via a hora de deitar deleitar com tâmara e cair pra dentro. partir logo para o finalmente - coisa que interessa. . .

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

LVI

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no-andar-da-carruagem, o encontro regado à boas cevadas ia fluindo devidamente bem. da parte dela, o papo tava bom. muit’embora, novamente não estava prestando lá muita atenção e sim para os seus belosolhos acastanhados, seus cabelos pretos lustrosos, seus lábios sinuosos e toda a adelgadura do teu corpo caboclo. & eu louco. . .
para adentrar, penetrar de cabeça nessa beldade ali contida. porém, pensando bem um grande e agradável clímax deve ser sempre preparado desta maneira com um bom papinho a dois e uma bebida etílica aflorando o espírito e a carne, ou seja, é o ideal propulsor para o enfraquecimento da carne até galgar o ápice do fortalecimento da mesma. mas mas mas não via a hora de carregar tâmara pra uma cama ou qualquer coisa semelhante. eu não via a hora de realizar com ela todas as minhas luxuriosas veleidades de um exímio amante galante.

LV

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caminhamos passarinhamos de lês a lês de ponta a ponta deste bairro – vista alegre – (realmente faz jus ao nome. postoque, fudidos de baixo renda e fanfarrões soberbos de alto poder aquisitivo convivem em aparente harmonia social). atrás de um boteco legal. após esta diminuta via-crúcis nós achamos um: o BOMBAR – assim é alcunhado e conhecido este estabelecimento que nós nos aportamos.
bar – sorvedouro sacrossanto de sestrosos bebuns. não há lugar melhor para ficar grogue e bem-logo-depois chamar pela cama à reboque. ave porre nosso de cada dia!
numa noite bastante caliente como essa. só mesmo ab sorvendo umas boas goladas de cervejas obstupidamente geladas!
assim então, escolhemos uma mesa. estava meio molhada. chamei o garçom para dar uma enxugada com um pano e ele de pronto executou o meu pedido. ele, o garçom entrega-nos o cardápio. nós dispensamos. queremos unicamente é bebericar umas refrescantes brejas. por-conta-disso, ele chega à nossa mesa com uma brahma geladérrima pra matar a sede das nossas goelas.

LIV

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atravesso o portão. resolvi não me perfumar muito. pois não suporto o olor o odor excessivo desses perfumes pseudo-franceses que vendem por aí – que, inclusive eu ganhei um desses – mas decidi manter a minha fragrância natural de homem másculo & rude.
estacionei defrente a sua casa. toquei a campainha. somente umas duas vezes. a sua mãe aparece nos fundos e deblatera:
- ela já está saindo já!!!!!!
e eu me prontifiquei a responder deblaterando também:
- tá bom, tô esperando aqui!!!
no bem da verdade, eu fiquei aguardando, mofando, plantado na boca do seu portão um pouco mais de meia-hora. como eu odeio esperar! me lembrei de uma música do Tremendão Erasmo Carlos:
“de frente ao coqueiro verde
esperei uma eternidade
já fumei um cigarro e meio
e Narinha não veio...”
todavia não havia nenhum coqueiro muito menos verde. estava sem cigarro porque eu tava ansiando chegar no bar e começar a fumar só lá bebegustando umas cervejas e fazendo meu pito. e tâmara não vem... no entanto do entanto, vai valer a pena esperar. assim espero.
enfim, ela chega formosíssima. sorrirrindo. linda. com um vestidinho rubescente quase tão por pouco indecente. ô clima quente!

LIII

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aproveito a ocasião pra tomar um banho merecido de rei. pois tô pensando pensando pensando seriamente em ligar para tâmara, marcar de tomar uns chopps, cervejas ou uns vinhos pra distrair, descontrair até cair numa cama ou num chão e foder vendo o sol nascer rompendo o quarto através de raios dardejantes.
“alô! tâmara!? é você?, minha beleza?”
“sou eu mesma, meu moreno!” ela diz. “o que cê me conta?”
“eu nada!” digo eu. “só quero te convidar pra beber umas comigo. topa ou não topa?”
“é óbvio, meu neguinho!”
“então, vamo!” oba lê lê! hoje vai ter! comemoro de felicidade... “posso passar aí que horas, lindeza pura?”
“tipo como. . .” ela pensa bem. “lá pelas 9 e meia.”
“fechou!”
“show!” ela entusiasma-se.
“ôkei!” e eu também! “passo na tua casa nesse esquema, minha flor. beijão e beijão.”
“outrão pra você, moreninho.”
principio a me vestir. coloco uma colônia e escolho a dedo cada muda de roupa. pretendo ficar assaz bonitinho pra ela.

LII

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soltei do bus. ofegante & arfante exsudando em demasia. desesperado pra dar uma defecada daquela! não agüentando mais de modo algum...
parei no boteco passando batido ao encontro de um banheiro. arriei as calças lepidamente. arranquei a camisa como se estivesse arrancando uma camisa-de-força. respirei e aspirei bem fundo e evacuei até não poder mais. uma tremenda evasão de pedregulhos de cocôs. fezes e fezes e fezes e mais fezes esvaindo-se no vaso. vaso, esse, imundo. quando acabei vi que não havia sequer nenhum papel higiênico. novamente me desesperei! foi então que eu tive uma resoluta solução: abri a carteira e achei uma conta de luz de janeiro do ano passado amassada. uns cartões de propaganda de empréstimo rápido e fácil. uma oração escrita num papel A4 ofício e uma nota de dois reais completamente amassada outrossim – ué, só agora, nesses momentos difíceis que eu descobri que eu tinha dinheiro – que bom! nunca um dinheiro fora tão útil para mim como hoje! – dinheiro é uma bosta! hehehehehe. . .
embolei tudo isso. fiz de papel higiênico e limpei satisfatoriamente a minha bunda melada de cocô.
“que maravilha! agora tô aliviado por inteiro...” pensei cá comigo.
saí do banheiro desse bar feliz e contente e cantando sorridente em direção a minha maloca. pra entrar no chuveiro e lavar a bunda com água e sabão dignamente.

LI

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quando eu saltei do ônibus chegando no centro. merda merda merda merda merda merda merda merda merda merda merda merda merda merda merda merda merda merda 1000 x merda. começou a me dar uma tamanha merda de uma dor de barriga, uma vontade imensa de cagar.
“que caganeira dos infernos!” eu pensei alto.
fiquei andando pela cidade, sorrindo, cantando baixo pra disfarçar essa vontade imensa de cagar. caminhei caminhei em busca de algum banheiro público todavia lembrei que eu estava sem um puto no bolso! eu tava suando frio. com todas as minhas glândulas sudoríparas transbordando, esvaindo. help! help! help! help!
“s.o.s cagada!”
“uma retreta, uma latrina, um vaso sanitário pelo amor de Deus!”
decidi terminar ali a minha busca por um emprego porém foi por motivo de força maior.
fiz sinal para o ônibus rumo ao meu bairro, louco louco louco louco louco para chegar em casa e dar aquela salvadora & alentadora barrigada.